domingo, 3 de novembro de 2013
Estilo de vida, a escolha de um lugar pra morar e a bicicleta
terça-feira, 6 de julho de 2010
Socorram-me subi no ônibus em Marrocos
Ainda no avião da Air Maroc dava pra ter uma ideia do choque holanda-marrocos que iríamos viver durante a viagem: várias mulheres de véu, comida boa e uma estranha abordagem no jornal marroquino em francês. Nele tinha uma matéria de três páginas apoiando a implementação da educação sexual nas escolas marroquinas. Um nível de discussão que eu só imagino existir num Brasil de lá pelos anos 60.
Desembarcamos em Marrakesh depois de uma escala em Casablanca. A primeira lembrança que eu tenho, depois do lindo aeroporto é da bagunça do trânsito, da quantidade de bicicletas misturadas com motocicletas e com os carros. A segunda imagem mais marcante são as cores, ou melhor, a cor, tudo é terracota: as casas, as ruas, o pôr-do-sol, o deserto: é uma cor única e linda (pros meninos que não sabem a diferença entre roxo e lilás, terracota é aquela cor de telha, tipo um vermelho fubento). A cidade encanta de qualquer esquina que você olhe, aliás o país inteiro, são paisagens naturais, contrastes urbanos, luz intensa e calor gostoso.
* Independente de estética, é claro que é preciso garantir que bairros e residências tenham conforto térmico, acústico e visual. Mas isso é uma conversa longa, talvez eu volte a isso por aqui um dia.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Me dê uma cachaça
Todo mundo que me conhece, mesmo que pouco, sabe que eu sinto muito frio e que o danado do frio é uma coisa que me incomoda muito. E por causa disso eu nunca consegui aproveitar nem achar bom os poucos invernos que vivi na minha vida.
Continuo achando que eu fui feita pro quentinho (bem quentinho!), mas não tem como negar que viver - por um determinado tempo – num lugar que tenha as quatro estações do ano é algo que faz os olhinhos brilharem!
Quando acordamos ontem estava nevando, e a neve caiu o dia inteiro. Eu até esqueci da temperatura negativa vendo a cidade toda branquinha (e também tentando me concentrar pra não escorregar da bicicleta e pra enxergar já que a neve teima em cair mesmo no meu olho). É lindo! (e continua lindo aqui do lado de fora da nossa janela, vê a foto!).
Aí me toco que mesmo odiando o frio, ter vivido mais um lindo e colorido outono, estar vivendo um inverno com neve – coisa rara aqui nas terras baixas – está sendo algo massa, e eu quero mais é sair na rua pra fazer bolinha de neve e jogar no esposinho, e voltar logo pra casa pra tomar um chá quentinho e me jogar debaixo de um milhão de colchas.
E até entendo um pouco porque Tina, uma alemã que fez mestrado comigo, estranhava e sentia falta das estações durante o tempo que morou em João Pessoa. E conversando com um outro amigo alemão que trabalha aqui comigo, a gente concluiu que quando o verão chega, eles (eu, nós, aqueles que moram nas bandas mutantes de cá) valorizamos muito mais o calor, e o verão se torna algo especial. A gente passa o ano inteiro esperando por ele.
Enquanto o povo de João Pessoa (né Lala?) fica reclamando a vida inteira do calor. E pensar que é esse calor que o povo daqui passa o ano esperando...
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Nem chorando nem sorrindo
Eu, depois de três e meio países morados, alguns mais visitados e algum tempo gastado, tenho algumas opiniões sobre isso.
A primeira razão, e mais irritante de todas, é que desde sempre foi cultivado no Brasil que tudo que vem de fora é muito melhor, principalmente tudo que vem dos EUA e da Europa. Como qualquer pessoa noraml pensa 'eu quero o melhor pra mim', não é difícil daí chegar a 'vou juntar um dinheirinho e ir mimbora pros estrangêro, ganhar a vida!'. E quando chega nos estrangêro, fica sim deslumbrado, achando tudo lindo. Até eu fiquei! Disse que se pudesse não voltaria mais pro Brasil. Claro que, depois do meu primeiro inverno e entender (ou tentar entender sem sucesso) como a vida funciona do outro lado do oceano, eu mudei de opinião.
Em segundo lugar, os salários padrão no Brasil, pra grandíssima maioria, não dão o mesmo poder aquisitivo do que o salário equivalente nos países mais ricos. Então as pessoas, mesmo as mais estudadas e diplomadas, independente do trabalho que arrumem, conseguem pagar o aluguel, fazer a feira, pagar o ônibus e, economizando, pagar a cerveja do fim de semana e uma viagem uma vez perdida. Pior são aqueles que pensam 'vou ganhar 1000€! carai! 3.000 reais! bom demais!'. Eles não pensam que, pagando as contas em euro, a vida fica bem apertada.
Claro que tem outros porquês, como fazer um doutorado numa área que não é tão desenvolvida no Brasil, ou simplesmente passar um tempo morando fora pra aprender um monte de coisas – algo muito bom pra qualquer um. Isso não é um problema (eu sou a última que teria direito de achar isso um problema :P), o que me irrita é o fato que a maioria dos brasileiro não critica nem pensa sobre seu próprio país e sobre o que procuram no lado de cá do oceano.
E no fim das contas, é uma burrice tão grande comparar qualquer país Europeu ou Norte Americano com o Brasil. São vidas completamente diferentes: clima, comida, gente, língua, cultura... O importante é que cada um possa descobrir seu lugar, mesmo sem nunca ter saído do Brasil, seja em Areial (Paraíba), em Amiens (França) ou em Zundert (Holanda), mas é extremamente necessário aprender a se perguntar e criticar o que ver, do Brasil e de fora, e não apenas aceitar que aqui fora é melhor, porque não é. É diferente, é interessante, é especial... mas nunca é perfeito, nem aqui nem lá.


