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terça-feira, 30 de março de 2010

Adocica, meu amor, adocica

Quem nunca cantou junto com Reginaldo: "garçom, aqui nesta mesa de bar, você já cansou de escutar, centenas de casos de amor...". Tem até quem se orgulhe de conhecer a letra inteira. Esses geralmente continuam com emoção: - e aquela? "Nesse corpo meigo e tão pequeno, há uma espécie de veneno, bem gostoso de provar..."

Bom né?
Mas se a gente for olhar a definição de brega, olha só onde a gente chega:

brega
adj m+f pop Que tem gosto duvidoso ou de mau gosto.

Ninguém pode negar que as roupas de Roberto Carlos têm um gosto duvidoso e que o cabelo dele, sem nenhuma sombra de dúvida, é de [muito] mau gosto. Fora a discussão sobre os tecladinhos existente nas musicas de Roberto e de outras pérolas da Música Brega Brasileira. Pensando assim, ninguém deveria gostar disso. Mas não, o brega é só o sucesso!

Para saber mais porque o brega é tão amado, entrevistei o DJ e Dr. Naza, também esposinho, criado no berço de ouro da sociedade pessoense. O futuro antropólogo apontou os seguintes motivos pra ele escutar e gostar de brega: o brega vai contra os padrões (é rebeldia), é exagerado, é romântico e 'toca no seu coração'.

Além dos motivos citados pelo DJ, Dr. e esposinho Naza, eu diria que escutando um brega, a pessoa coloca pra fora aqueles sentimentos que ela não tem coragem de assumir. A pessoa entra naquela brincadeira de ser 'corno', de amar loucamente uma pessoa, de sofrer desesperadamente por ela, entre outras expressões de sentimento que o brega proporciona.

Eu diria, portanto, que o brega pode ser avaliado como a transparência dos sentimentos mais profundos da humanidade em forma de música. O brega diverte, faz você dançar, chorar, se embriagar, se emocionar e querer mais. Ele permite que você volte ao passado com sorriso no rosto, se descubra benevolente e querendo ensaiar o 'novo passo da Noruega'. Ele é o bicho!

Atire então a primeira pedra quem, ao "ouvir aquela canção do Roberto", não joga uma mão pra cima, enquanto a outra aperta o peito, e diz 'essa é boa!'

minha inspiração pra esse post:




Pra você que gosta de brega, ou que acaba de descobrir que gosta, e principalmente pra você que acha que nunca vai gostar, eu tenho uma sugestão: descubra a discoteca do chacrinha, é dessa vez que você vai se apaixonar (e querer que ela(e) se case com outro só pra sentir na pele o que aquele garçom acha de "saiba que o meu grande amor hoje vai se casar...").

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Salvem o orkut!

Nos últimos meses várias pessoas aderiram ao facebook, o que me deixa com medo da possibilidade de esquecimento, ou até mesmo de extinção, do orkut. Eu, particularmente, faço parte das duas 'comunidades' mas confeso não gostar do facebook. Continuo lá só pra manter contato com meus amigos não-brasileiros. Do orkut sim, eu gosto! E passo horas 'passeando' por ele. Me sinto como aquele povo que faz people watching, ou simplesmente como colocar uma cadeira na calçada às 4 da tarde pra assistir o povo passando, e assumo que é divertidíssimo.

Esse hábito tem sua parte prática: em 5 minutos eu dou um 'rolé' pelos amigos mais próximos só pra saber se está tudo bem - não vou entrar nos detalhes do que é que pode significar a mudança ou não mudança frequente do perfil. É eficiente! Normalmente, depois da visita aos amigos mais próximos, vem a melhor parte: visita aos amigos menos próximos, aos que eu não vejo há anos, aos novos namorado(a)s das amiga(o)s, aqueles que eu não quero tanto bem (doida pra saber se continuam bem longe de mim) e a quem mais parecer interessante na página de recados alheia.

É claro que o primeiro ponto de interesse são os albuns de fotos. E que alegria é encontrar albuns desprotegidos, abertos às visitas. Ultimamente, não sei se por causa da minha idade ou perseguição da minha pesquisa, as fotos se concentram em passos importantes do 'ciclo de vida' das pessoas: casamentos, gravidez e filhos. Esses fatos em si não são tão interessantes quanto as fotos do orkut.

As fotos (clássicas) de casamento e o quão brega esse evento pode ser não é nada novo, mas a novidade (que talvez por minha ignorância não seja tão novo assim) são as fotos de grávidas e dos bebês que, coitados, passam por ridículo sem terem escolha - para a minha diversão.

Grávidas com buchos enormes, beirando o gogó, completamente inchadas (e há quem diga que mulher grávida é bonito), quanto mais inchadas mais forte é o 'rouge' da maquiagem. Sim, existe toda uma produção para o mesmo princípio das festas de casamento: todas iguais
. Pra minha tristeza, pois adoraria ver mais dessa amostragem cafuçú nos meus passeios orkutianos. Exemplos de poses são: segurando um sapato de bebê que pousa sobre o bucho onde o nome da criança está escrito, o pai de joelhos beijando 'a criança' (o bucho mesmo), um laço em volta do bucho e a mãe puxando a pontinha, segurando uma flor enquanto olha pro bucho (sim, tudo em volta do bucho), entre outras poucas, já que a variedade é pequena. As roupas também são coisas pra cinema durante uma festa de são joão em areial: tem uma branca transparente parecida com um véu, tem um top preto com mangas longas e gola rolê e, o melhor de todos, colocar um buá ao redor do busto, a melhor referência ao cafuçú que já existiu em estúdios fotográficos.

Não basta a própria mãe passar por isso, os bebês estão tendo a mesma experiência, sendo que pior: a cada mês de vida! As poses também são as mesmas sendo que dessa vez numa referência cafuçú à Anne Guedes. Mas os melhores de todos os albuns, são aqueles das grávidas que tiram fotos em casa imitando as poses e as roupas como se estivessem em um estúdio, é muito bom! Eu imagino que na sala de casa estava rolando um Roberto Carlos, perfeito!

Por isso mesmo lanço a campanha: mais acessibilidade no orkut. Deixem seus orkuts acessíveis em prol da diversão da comunidade orkutiana! E atualizem seus perfis, frases do dia, fotos, vídeos, whatever. Quem sabe assim o google pare de tentar copiar o facebook e aceite o orkut, cafuçú como ele é. É assim que, pelo menos eu, gosto dele.